Winters frisa a Mallmann que “o álcool é a droga a ser combatida pela sociedade” 30/11/2007 12:55 O secretário estadual da Segurança Pública, José Francisco Mallmann, reuniu-se na manhã desta sexta-feira (30) com o psicólogo norte-americano Ken Winters, um dos maiores especialistas mundiais no estudo sobre os malefícios do álcool e drogas. Em visita esta semana a Capital, onde proferiu uma série de palestras sobre os temas, Winters conheceu o secretário em conferência realizada na última terça-feira, no Colégio Anchieta, onde soube da proposta de restrição ao consumo e comércio de bebidas alcoólicas, defendida por Mallmann. Ph.D no tema “uso e abuso de drogas”, Winters afirmou que a medida sugerida pelo titular da SSP é “sensacional”, tanto sobre o ponto de vista da saúde e educação, quanto sobre a ótica preventiva, visando a redução dos indi cadores de criminalidade. De acordo com o norte-americano, a sociedade gaúcha e brasileira não pode mais subestimar os problemas decorrentes do álcool, precisa ter a clareza para a importância do debate público e trabalhar, de forma integrada, o controle no consumo excessivo de álcool. Em sua conversa com o secretário, cuja tradução foi realizada pela delegada Elisangela Melo Reghelin, do Departamento de Desenvolvimento de Recursos Humanos (DDRH), da SSP, Winters explicou ao secretário que nos EUA a restrição no horário de comércio do álcool trouxe muitos benefícios à sociedade, pois, além de reduzir os danos à saúde das pessoas, principalmente adolescentes e jovens, reduziu a violência, que tinha no álcool um estopim para o confronto de gangues, acidentes de trânsito e homicídios. Ao traçar um cronograma do combate ao álcool em seu país, enumerou que a restrição nos municípios inicia-se à meia-noite e que a idade mínima para o consumo, estipulada por lei naciona l desde a década de 1980, passou dos 18 para os 21 anos, visto as autoridades federais detectarem os problemas no abuso do consumo do álcool. Essa medida, segundo ele, reduziu, somente os acidentes de trânsito, em cerca de 50%. Ressaltou, ainda, que para a maioria dos crimes no EUA a idade penal é de 18 anos. Ainda no enfoque a restrição ao consumo das bebidas alcoólicas, Winters assinalou a Mallmann que a medida surtiu efeito positivo não só nos EUA, mas também em outros países. Argumentou que no caso do RS, alternativas para a restrição passariam, por exemplo, pela delimitação no horário de venda da bebida e na utilização do sistema de segurança pública como um controlador e fiscalizador desse comércio. Já na área da saúde, lembrou que há medicamentos sendo utilizados na inibição ao consumo de álcool. Sobre como a família poderia ser mais efetiva no controle ao álcool, afirmou ao secretário que antes de tudo vem o exemplo dos pais, de evitar fumar e beber na fr ente dos filhos e ter o diálogo como um referencial, tanto na infância e adolescência das crianças, quanto na juventude. Na avaliação do especialista, o que leva os jovens a abusarem no consumo de bebidas alcoólicas é seu próprio comportamento, desafiador dos limites e regras. Salientou ao secretário que para isso contribui, também, o aumento no consumo de drogas lícitas e ilícitas entre os adultos, que propiciam o exemplo negativo, associado, ainda, a questões culturais. Conforme Winters, no EUA o álcool é, disparado, a droga que mais causa problemas, superando todas as outras, lícitas e ilícitas, juntas. Na sua opinião, o grande problema a ser enfrentado pela sociedade é o do excesso no consumo das bebidas alcoólicas. Afirmou que em terras norte-americanas o álcool é o grande detonador nos problemas envolvendo acidentes de trânsito e crimes, principalmente entre os jovens. Apontou, no entanto, que de uma maneira equivocada, a mídia foca-se em problemas envolven do a cocaína, maconha e outras drogas que, em sua maioria, atingem e são consumidas por uma faixa etária mais velha da população. Mallmann concordou com o especialista e falou que estatísticas da SSP, coletadas desde o início do ano, indicam essa realidade. Para o secretário, a parcela da população que é contrária a medida seria formada pelo que denominou de “indústria da cirrose, os notívagos e as pessoas que pensam não estarem dependentes das bebidas alcoólicas”. As implicações do álcool no cérebro Conforme o psicólogo, de acordo com recentes pesquisas, o desenvolvimento completo do cérebro se dá somente aos 25 anos de idade. A última parte do cérebro a se formar é a do córtex pré-frontal, região responsável pela capacidade de escolha do indivíduo, de onde parte o juízo crítico e a capacidade de avaliação e de discernimento. Daí a importância da família e da escola estarem presentes e atentas, especialmente entre os 15 e 20 anos, período em que , nos EUA, o uso de álcool é maior. Os resultados das pesquisas de Ken Winters apontam para um percentual de 12,2% dos jovens nesta faixa etária que acabam tendo problemas com a bebida na vida adulta, em função do consumo exagerado na adolescência. Quanto mais cedo o jovem é iniciado no consumo de álcool, maior as probabilidades de vir a ter problemas futuros. Se este consumo se dá a partir dos 21 anos, como prega a lei norte-americana, a possibilidade de vir a ter problemas com álcool é cinco vezes menor. No Brasil, a idade mínima para consumo é de 18 anos e, segundo pesquisas, quem bebe antes disso tem três vezes mais chances de ter problemas com a bebida na vida adulta. Fonte: SSP/RS